Me dei conta que desde que eu comecei o blog
eu havia prometido explicar os motivos para
a definição do nome do blog, mas que eu nunca expliquei.
Bom, então hoje, ao colocar em ordem minha casa,
eu lembrei desse fato, e vou corrigir minha falha.
A história começa quando eu tinha aproximadamente 8 anos.
Na escola em que eu estudei
da primeira até a quinta série
(que hoje chamam de ensino fundamental)
tinha uma biblioteca.
Eu era assídua frequentadora desde os meus 6 anos.
E quando eu tinha perto dos 8 anos,
eu descobri um livro chamado "A bolsa amarela".
Lembro de ter amado a história!
E lembro de ter retirado o livro diversas e diversas vezes.
Minha mãe sempre que me via, de novo,
com o livro, ficava impressionada.
Ela sempre me perguntava o motivo
de retirar tantas vezes o mesmo livro.
E eu sempre dizia que eu gostava muito da história.
E, pelo que eu me lembro, eu amava aquele livro!
Claro que quando eu cresci um pouco,
eu dei uma desligada do livro.
Coisas da pré-adolescência.
Mas quando eu tinha uns 13 anos,
a minha mãe ganhou de alguém
uma bolsa velha, de tecido, e que era amarela.
Era daquele tipo bolsão, que hoje, adulta, eu não sou muita fã.
Mas me lembro que quando a minha mãe
chegou em casa, toda entusiamada por que
ela estava me trazendo uma bolsa amarela,
aquilo pareceu quase a realização de um sonho.
Minha mãe tinha noção do quanto devia ser
fascinante pra mim, ter uma bolsa amarela.
Desde que eu li o livro, eu desejava uma bolsa amarela.
Na verdade, acho que qualquer criança,
que tenha descoberto a história do livro,
deve ter desejado uma bolsa amarela pra si.
Mas sabe, pra vcs me entenderem, eu preciso explicar
mais algumas coisas sobre o livro.
No livro tinha a Raquel, uma menina,
cheia de sonhos e contestadora.
A Raquel tinha tres vontades:
ser adulta,
menino
e escritor.
E ela guardava estas vontades dentro da bolsa amarela,
escondidas.
E quando as vontades dela cresciam
dentro do coração e da cabeça dela,
elas começavam a inchar, dentro da bolsa.
Bom, admito que eu nunca entendi
o que faria uma criança querer ser adulta.
Quando eu era criança, não queria crescer.
Achava os adultos extremamente estranhos.
O que eu via dos adultos,
era que eles não falavam a verdade,
não agiam conforme o que falavam e
pareciam capazes de atitudes que
eles ensinavam que não deviam ser praticadas.
Nunca consegui aceitar nenhuma dessas características
que me pareciam sempre associadas aos adultos.
Também nunca vi graça em ser menino.
Achava que tanto fazia ser homem ou mulher
(tadinha, aos 8 anos, eu ainda não conhecia
as diferenças de gênero).
Mas ser escritor ...
Uau, isso devia ser demais.
Aos 8 anos, eu adorava os livros.
Ficava um tempão na biblioteca da escola,
perdida e distraída, encantada com o mundo
de informações que haviam naquelas estantes.
Imagina o quanto devia ser legal
ser o profissional que fazia um livro????!!!
Aos meus olhos, aquilo devia ser o que havia de melhor no mundo.
Admirava a capacidade da Raquel
- que era uma criança, como eu
- de criar romances,
argumentos, conversas, personagens.
A Raquel era o meu ideal de criança.
E eu acho que diversas vezes,
durante a minha infância e adolescência,
eu fui como a Raquel.
E, mesmo hoje, ainda vejo em mim,
aquelas características que eu tanto admirei na Raquel.
Acredito que este livro transformou a minha vida,
aos 8 anos, mesmo que naquele momento,
eu não fizesse idéia da importância
daquele livro na minha existência.
Se eu tive um herói na minha infância,
com certeza esse herói foi a Raquel e a sua bolsa amarela.
Por isso, ter "trecos e cacarecos na bolsa amarela da Lenira",
tem tanta importância pra mim.
Não tenho um alfinete de fraldas,
nem uma sombrinha emperrada, ou
um galo chamado Afonso, dentro da minha bolsa,
mas várias outras coisas que mostram quem eu sou
e com o que eu me importo.
A minha bolsa amarela não incha
quando as minhas vontades crescem,
mas ela mostra o que eu sou!
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